Cannes: 67 Leões, recorde e Agência do Ano

O Brasil não se contentou apenas em bater o próprio recorde em Cannes ao somar 67 Leões na 58º edição do Festival de Criatividade. Além de aumentar em 10 troféus a marca estabelecida em 2010, reafirmou para a publicidade mundial que reside em São Paulo a Agência do Ano do evento pela segunda vez consecutiva: a AlmapBBDO.

 

O prêmio foi oficializado na cerimônia final do Cannes Lions, realizada neste sábado, e pôs a agência de Marcello Serpa e José Luiz Madeira à frente da respeitada Wieden+Kennedy e da co-irmã BBDO Nova York. Desempenho de dar inveja.

 

“Éclaro que nunca esperamos isso (ser Agência do Ano), mas também não chega a ser uma surpresa. Ganhamos 14 Leões aqui e isso não é pra qualquer um. Atribuo o sucesso a um conjunto: uma equipe maravilhosa, dois chefes visionários, departamentos integrados e pessoas muito talentosas. Mostra que estamos no caminho certo”, comemora Luiz Sanches, diretor de Criação da Almap, ainda no Palais com o seu recém recebido Leão nos braços.

 

A Cot`DAzur está nitidamente mais verde e amarela, sinal de que o alto investimento valeu a pena. Com 2.647 inscrições, o país foi o segundo que mais apostou no Festival; perde apenas para os EUA e fica à frente da Alemanha. Se no ano passado as agências já festejaram o antigo recorde, 2011 acende, de fato, o alerta para a contribuição brasileira no cenário internacional.  O CEO do Festival reconhece. “O Brasil envia quase 900 delegados para Cannes, vindos de Design, Media e até da moda. Uau! São 67 Leões! É realmente fantástico”, analisa Philip Thomas.

 

No último dia do Festival foram confirmados os anúncios de quatro categorias. As agências brasileiras faturaram cinco Leões em Film (dois de Prata e três de Bronze) e dois em Film Craft (um de Ouro e outro de Bronze). Em Titanium & Integrated e na estreante Creative Effectivess, no entanto, não houve vencedores nacionais, sequer finalistas.

 

Em Film, a Almap leva os prêmios prateados com ações para a Volkswagen, e um de Bronze, com criação feita para a Embratel. Os outros dois de Bronze são divididos entre Y&R e Loducca, respectivamente, com "Pelé (1284)", para a Vivo, e "Balões", campanha da MTV. O Grand Prix da área foi para  "Write the Future", megaprodução desenvolvida pela Wieden + Kenedy para a Nike.

 

Já em Film Craft, que avalia a execução do filme, consagração com o Ouro para a Loducca, novamente com "Balões", e com o Bronze destinado à Ogilvy pelo "Manobrista Bêbado", criado para o Bar Aurora e Boteco Ferraz. O Grand Prix pertence à  Droga5, com o case ‘Depois de Horas’, elaborado para a Puma.

 

Hegemonia em Press

Junte-se ao isso os 20 Leões em Press, 17 em Outdoor, 6 em Direct, 4 em Media, 3 em Radio e 2 em Promo e em PR e veja como o Brasil é bem cotado. Assim como tem acontecido nos anos anteriores, os 90 paises presentes em Cannes viram que o país reina em produção para mídia impressa . O desempenho é recorde. O presidente do júri só citou o Brasil porque somos a estrela em Press. Somos referência! Os jurados reconhecem uma peça nossa porque fazemos de um jeito diferente’, elogia o jurado Marcos Medeiros.

 

Outdoor viu a inserção do Brasil na era 2.0, na leitura do jurado Alan Strozenberg. Ele gostou do resultado que ajudou a construir em Cannes e, apesar de o número  de Leões ter sido menor que em 2010 – 17 frente aos 21 – considera o avanço. ‘Estamos melhores em relação ao ano passado. Temos uma tradição de fazer um excelente trabalho e entramos na era 2.0, de interatividade com as marcas. Temos muito a evoluir nessa direção com o consumidor’, observa.

 

Já em  Direct a novidade foi o Ouro inédito. Atravessará o Atlântico  na mala da DM9, que conseguiu o feito com a ideia de relançar o brinquedo Ferrorama. O case do Ferrorama foi muito emocionante, e o critério principal foi abrangência. Um trabalho lindo e perfeito em ingredientes’, comemora a jurada Ana Paula Marques, que cobra mais coragem das agências de marketing direto. ‘O Grand Prix ganhou porque mostrou o que se faz com pouco dinheiro. Sejam corajosos, humanos e façam o cliente participar. As agências brasileiras são sozinhas neste sentido, temos que insistir', critica.

 

Coragem esta que talvez tenha faltado em algumas categorias. A mesma habilidade em ganhar prêmios nas áreas mais tradicionais do evento se traduziu na dificuldade em entender os novos movimentos ancorados no uso da tecnologia. ‘O desempenho não foi bom. São 10 inscrições apenas, um número ridículo. Ninguém sabia nada de Film Craft. Temos que ler e ser menos preguiçosos’, critica Alex Miranda, jurado em Film Craft, na qual o pais trouxe apenas dois Leões. O fraco desempenho em Cyber (1 Leão), aliado à falta de prêmios em Titanium e Creative Effectivess também devem servir de alerta para a indústria.

 

No mais, Promo, Radio, Media e Design mantiveram as médias dos anos anteriores. Film, em espcial, teve melhora em relação  ao ano passado. Passou de um para cinco Leões.

 

Brasil no geral:

5 ouros

20 Pratas

42 Bronzes

 

Agências mais premiadas

Almap: 14 = 1 Ouro - 8 Prata e 5 Bronze + Agencia do Ano

Ogilvy: 11 =  5 Prata - 6 Bronze

JWT: 6 = 1 Ouro - 2 Prata e 3 Bronze

Loducca: 4 = 2 Ouro - 1 Prata - 1 Bronze

Moma: 4 = 1 Prata - 3 Bronze

Y&R: 4 Bronze

 

Também ganharam em Cannes: Dont Try this, FSB Comunicações, Age/Isobar, Publicis, Giovanni+DraftFCB,  Talent, Z+, New 360 Belo Horizonte, Grey, Leo Burnett,  Artplan, Monumenta Brasilia, Babel e F/Nazca.

 

Por Marcelo Gripa, de Cannes

Deixe seu comentário: