O que o capacete do Senna dado para o Hamilton tem a ver com comunicação?

Hamilton

No último sábado (10), o piloto Lewis Hamilton conseguiu a sua 65ª pole da carreira, no treino oficial do GP de Montreal. Com o feito, o inglês igualou o seu principal ídolo, o brasileiro Ayrton Senna. Mas, independentemente do fato, os números e até o desempenho nas pistas, uma cena icônica marcou o final de semana da Fórmula 1 no Canadá. Hamilton, que discursava para o público após o treino, foi interrompido com um presente que o deixou paralisado: o capacete que pertenceu ao piloto brasileiro, considerado por muitos (e pelo próprio inglês) como o melhor de todos os tempos.

Emocionado, com lágrimas nos olhos e com a alegria de uma criança, o inglês abriu a redoma que envolvia o objeto e deu-lhe um beijo comovido e comovente. Tais cenas rodaram o mundo no final de semana. Mas daí você relembra o título deste texto e questiona novamente: o que isso tem a ver com comunicação? Dois fatos bem marcantes. Vamos lá... Em primeiro lugar: o capacete foi um presente encaminhado pelo Instituto Ayrton Senna, que além de ter projetos socialmente relevantes, faz um notável trabalho de marketing. Não à toa, a marca que leva o nome do piloto tricampeão mundial é a segunda maior em lucros no esporte nacional (cerca de R$ 38 milhões anuais), ultrapassando Ronaldo e Neymar, ficando atrás apenas de Pelé. Pela ação, a entidade já tinha o timing exato do feito e a consciência da mídia espontânea que seria (e foi) gerada com o presente que emocionou o piloto inglês.

O segundo ponto é o seguinte: as imagens que rodaram o mundo mostravam com destaque outra marca, que apesar de não existir mais na vida real, ficou imortalizada no capacete do maior piloto brasileiro da história: o Banco Nacional. Na década de 80, a empresa foi uma das primeiras a apostar no talento de Senna. Em troca, o ídolo do automobilismo bateu o pé e conseguiu até mudar contratos para poder usar seu tradicional boné do banco Nacional quando não estava com o capacete, mesmo nas entrevistas para a TV Globo. A longevidade da parceria, quase uma tatuagem no símbolo máximo do piloto (o capacete) é uma prova inequívoca que a escolha certa de um embaixador é de um valor incalculável para a marca. Quanta mídia espontânea as cenas de sábado, em Montreal, não geraram? Já pensou nisso?

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