Morre Alberto Dines, fundador do Observatório da Imprensa

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Morreu nesta terça-feira (22), às 7:25, o jornalista Alberto Dines aos 86 anos de idade no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, em decorrência de uma pneumonia. Não tão conhecido entre o público mais jovem, o comunicador foi um dos profissionais que ajudaram a moldar a imprensa brasileira como ela é configurada hoje.

Nascido em 19 de fevereiro de 1932 no Rio de Janeiro, Dines iniciou sua carreira em 1952 na “A Cena Muda” e teve passagem por diversos veículos até construir uma história de 12 anos no Diário da Noite. Pertencente ao grupo “Diários Associados” de Assis Chateaubriand, o jornal serviu como escola para o então editor-chefe testar o que aprendeu em seu próximo trabalho.

Contratado nos 1970 pelo Jornal de Brasil, o editor foi responsável por uma mudança profunda no veículo por meio de uma importante reformulação gráfica e criação de novas seções. Defensor da democracia, Dines contestava em suas manchetes o regime militar. Diante de tantas capas contra o regime, o jornalista foi demitido em 1974 após uma matéria que defendia o presidente Salvador Allende do Chile que se suicidou depois de ser deposto pelos militares.  

Professor da PUC e fundador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o intelectual também é um dos criadores do Observatório da Imprensa. Plataforma norteadora da mídia nacional, o Observatório se coloca como entidade civil, não-governamental, não-corporativa e não-partidária que acompanha o desempenho da mídia brasileira. Funciona como um fórum que permite debates diversos sobre coberturas jornalísticas.

Com post no Facebook, o Obervatório lamenta o fato. Confira abaixo a publicação:

Além dele, muitos outros colegas de profissão também compartilharam suas condolências. Juca Kfouri publicou um texto emocionante sobre o amigo em seu blog. Seguem alguns trechos:

“Sempre o chamei de Albertinho e fiz questão de não tratá-lo com a reverência que merecia dos mais jovens.

Ele vinha sofrendo muito já faz tempo e sua morte interrompe dias que não lhe faziam justiça. É curioso.

É curioso.

O descanso dele, pelo qual torci, não consola agora.

Ficam a dor da perda de tão longe, o carinho e a saudade, para sempre....”

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