Conheça o artista brasileiro que conquistou a Netflix e outras marcas  

Bily

Se interessar por super-heróis e universos imaginados é uma predileção que surge na infância e pode se estender por toda a vida. Semelhante a muitas pessoas, essa é a história do curitibano Billy (The Butcher) Mariano que desde criança se apaixonou pelas histórias do cinema, música, história em quadrinhos e videogames. Imerso em mundos incríveis, o paranaense decidiu fazer design na faculdade para continuar a recriar seus personagens prediletos.

Por insegurança em se lançar artisticamente, Billy trabalhou em empregos formais, mas foi quando começou a experimentar nas criações com os ícones que ele sempre amou é que as coisas mudaram. Com produções que imprimem seu estilo, o jovem passou a fazer parte de uma agência internacional de ilustradores e já desenhou para marcas como NBA, Michael Jordan, Ogilvy, Foot Locker e, agora, faz mais uma participação para a Netflix.

Depois de criar capas de HQ para os episódios de Black Mirror e o próprio criador do serieado, Charlie Brooker, entrar em contato pelo Twitter e solicitar a participação do brasileiro na quarta temporada da série, é a vez do blockbuster Stranger Things chamar o Butcher para trabalhar com a franquia.

Convidado para criar matériais promocionais, embalagens para produtos e camisetas oficias, o ilustrador estreita os laços com a plataforma. Para conhecer um pouco da pessoa por trás dos desenhos, entender seus trabalhos realizados e saber com quem Billy sonha em trabalhar, batemos um papo com o curitibano. Confira abaixo a entrevista:

Quais as suas influências e como começou a criação de um estilo tão autoral?

Desde criança eu sempre fui muito interessado nos universos de cinema, música, quadrinhos, games e arte. Com certeza foi isso que me fez estudar Design. Entretanto, eu sempre trabalhei no lado mais corporativo, por ter uma certa resistência a subjetividade de ser um "artista". Foi só quando resolvi experimentar mais com esse outro lado foi que começou a criação desse estilo autoral que mistura todas essas minhas influências iniciais.

Seu trabalho criou um universo próprio e característico, já houveram outros convites de marcas que tomaram conhecimento de suas homenagens e o convidaram a participar em projetos?

Há alguns anos eu faço parte do staff de uma agência internacional que representa artistas e ilustradores pelo mundo. Já recebi convites pra trabalhar com marcas como ESPN, Billboard, Netflix, British Gas, NBA, Ogilvy & Mather, Foot Locker, Michael Jordan, E.Leclerc Hypermarchés, Loot Crate, Invada Records, NME Magazine, The Big Issue, etc.

Ano passado, uma criação sua foi vista pelo criador de Black Mirror e foi inserida em dois episódios na nova temporada. Como foi isso?

Começou quando eu criei esse projeto de capas de quadrinhos vintage para cada um dos episódios de Black Mirror. O criador da série, Charlie Brooker, curtiu, retuitou todas as artes e entrou em contato, me convidando pra 2 projetos: participar do design de produção da quarta temporada da série, e para transformar as artes em capas de discos de vinil com as trilhas sonoras dos episódios San Junipero e Men Against Fire. Agora estou esperando a estreia da nova temporada pra ver como ficou o trabalho.



Agora, depois de fazer algumas fitas de Atari inspiradas em Stranger Things, a própria Netflix entrou em contato e solicitou novas participações. Como elas serão feitas?

Antes da estreia da nova temporada, a Netflix entrou em contato comigo para criar materiais promocionais. Eu desenhei uma embalagem para um produto muito legal que está saindo em breve, e ainda camisetas oficiais da série que estarão sendo lançadas mensalmente. A primeira já saiu agora no final de outubro.

Já a série de capas de livros antigos e cartuchos de Atari é um projeto pessoal, que eu criei após assistir a segunda temporada, que pode ter a possibilidade de virar algo.

Como é estabelecido o modo de trabalho com a plataforma? Há conversas prévias sobre próximas parcerias com a Netflix? Existe algum estúdio ou empresa que você não trabalhou, mas morre de vontade?

É um modelo de trabalho bem solto e sem amarras, do jeito que eu gosto. Eu sou convidado a me envolver em projetos comissionados selecionados, que geralmente já aparecem com um briefing pronto e organizado, para os quais eu sou chamado porque tem tudo a ver com o meu estilo pessoal.

Sobre estúdios ou empresas que eu tenha vontade de trabalhar - quando penso nisso, eu sempre lembro de uma expressão: "never meet your heroes". Mas considerando que ter trabalhado com Black Mirror e Netflix foi uma experiência incrível e muito satisfatória, talvez seria interessante ver como seria trabalhar em algum projeto para a Nintendo, Marvel, DC ou Lucasfilm - mais especificamente, é claro, Star Wars.

 

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