Vida é aquilo que acontece enquanto planejamos o próximo flight

A Terra gira em torno do Sol a uma velocidade aproximada de 118 mil quilômetros por hora. E você vai ficar aí parado? Fazendo exatamente a mesma atividade que fazia há 10, 20 anos atrás? Não creio. Sorte nossa que atuamos em uma área que vem mudando todos os dias, não é mesmo? Mas, na sua opinião, isso é na verdade sorte ou azar? Onde uns veem caos, outros veem oportunidades. De que lado você está?
 
Aqui, neste novo espaço que o Adnews lança hoje, a gente vai discutir o nosso papel como comunicólogos. Antes de sermos publicitários, planners, criativos, atendimentos, mídias, whatever, somos comunicólogos. Pessoas - não muito normais, vá lá - que estudam, praticam e dominam a arte de fazer com que a vida de outras pessoas seja um pouco melhor e mais simples.
 
Essa missão é extremamente válida porque precisamos, de vez em quando, parar para discutir nossa atuação. Estamos todos tão imersos em nossas rotinas diárias que muitas vezes nos abstemos do hábito de questionar, de aprofundar, de debater, de mergulhar fundo no entendimento dos hábitos humanos. Quem está do lado de lá do balcão? Como ele mudou nos últimos tempos? É para esse cara - que a gente acha que conhece daquele powerpoint que o pessoal de pesquisa apresentou - que a gente está criando, pensando e planejando. É pro Homer Simpson, pro Lineu Silva, é pra Waldirene. Se você não sabe quem é Waldirene  acho uma boa você assistir novela e BBB, entre um episódio e outro de Game of Thrones ou House of Cards.
 
Por vezes nos vemos meio que isolados em nossos redutos de criatividade e genialidade e acabamos esquecendo de olhar para a realidade da vida cotidiana das pessoas normais. Estamos sempre tão mergulhados de cabeça em centenas de milhares de posts de trendsetting, pilhas de Archive, repertório de anglicismos, achismos e toda a enorme sopa de letrinhas que usamos diariamente, que sequer percebemos que temos muito pouco convívio e conhecimento verdadeiro sobre o cidadão médio do nosso país. É incrível como nós, os comunicólogos, nos reunimos em nossas Távolas Redondas Sagradas e esquecemos de como as pessoas normais - que chamamos de usuários, de público AB/AS/25+, de target - estão lá fora vivendo. Compramos eyeballs, vendemos almas. 
 
Tentamos, com toda força de nossas mentes, até por não faz parte de nosso cotidiano, imaginar que sim, lá fora há pessoas comuns, que vivem, trabalham, escovam os dentes, saem pra beber, criam seus filhos, fazem churrasco no sábado com os parceiros. A vida é a soma disso tudo. É aquilo que acontece enquanto estamos aqui planejando o próximo flight. 
 
Compreender as motivações e aspirações que levam as pessoas a tomarem essas escolhas é talvez a nossa principal e mais honrosa missão como comunicólogos. É a nossa matéria-prima elementar, o nosso oxigênio, nosso elixir. Muito mais do que identificar e atender necessidades. Muito mais do que criar necessidades. É compreender o que leva as pessoas a necessitar e agir ali, na fonte da questão, nas profundezas do comportamento humano, no propósito maior que move as pessoas a trabalhar, malhar, estudar, viver, respirar.
 
A ideia deste novo espaço é provocar você. Dar uma sacudida nas suas certezas, reaquecer suas dúvidas. Acredite: são elas, as dúvidas, que te movem pra frente. Você pode concordar comigo, pode discordar, só não pode ficar imparcial, neutro, estagnado. Aceitei este grande desafio sabendo o que me esperava. E se você chegou até esta frase, já deixou um novo colunista feliz, muito feliz. Isso porque, logo ali, nas próximas palavras, o texto já vai terminar. E você veio comigo até o fim, mesmo eu sendo um mala cri-cri e chato de galocha. Mas, mesmo assim, espero que você esteja aqui no próximo texto, daqui a 15 dias, me aturando novamente. 
 
 
Tags: raul, artigo, vida

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