Cristal Festival 2015

‘O Cristal Festival é do tamanho ideal para o network’

Maior jurado brasileiro da história dos festivais de propaganda, segundo um levantamento sólido do jornalista Adonis Alonso, Daniel da Hora, que é Chief Creative Officer da DH,LO Creative Consultancy Boutique, mais uma vez teve a missão de julgar trabalhos do mundo inteiro no Cristal Festival 2015. Entretanto, nem com todo o traquejo e a experiência de quem já enfrentou júris de praticamente todos os tamanhos e características, a tarefa foi simples. Isso porque Daniel foi jurado nas categorias de Online Video, Design, Outdoor, Print Craft e Press.

Como se não bastasse a tempestade de campanhas para avaliar, ele ainda fará uma palestra para o público do evento no sábado (12). Porém, se por um lado o processo de julgamento foi exaustivo com tantas áreas envolvidas, por outro, o publicitário pernambucano talvez seja o jurado mais indicado para fazer um balanço geral do Cristal Festival 2015, não apenas no quesito de qualidade criativa, como na concepção do evento como um todo.

No intervalo entre tantas atividades, com a cabeça fervendo, apesar da neve de Courchevel, ele parou 20 minutos para falar com o Adnews. Confira:

Você é o jurado com mais categorias no festival e consequentemente o que tem as melhores condições para avaliar tudo que aconteceu até agora. Você pode fazer um balanço para nós?

É importante para quem está em muitos festivais, assim como eu, ter a oportunidade de compartilhar tudo que observamos. Não é justo fazer o contrário com quem não pode estar aqui. Esse é o mundo de 2015, do compartilhamento e da troca de informações. Sobre a minha visão como jurado brasileiro, principalmente em categorias como Press, Print Craft e Outdoor, tenho os meus critérios baseados na excelência criativa de nosso País, no calibre que foi determinado após anos e anos dessa escola tupiniquim de propaganda. Parece fácil, mas por outro lado temos que explicar que o nosso critério é 'classe A' e de nível mundial. Então, muitas coisas que outros mercados mais periféricos estão vendo como novo e interessante, a gente já exercita. É importante ter um jurado que explique isso. De qualquer maneira, um aspecto interessante do Cristal Festival é esse universo diversamente amplo, com peças que vão do Sri Lanka ao Chile. Sem contar que não é um festival que está experimentando, ele realmente já traz um nível de excelência criativa.

E a categoria de Design?

Teve uma coisa interessante na categoria de design: o júri concebeu dois GPs por entender que a relação entre design e publicidade é inevitável e irreversível. Negócios orientados ao design hoje estão fazendo a diferença. O exemplo que a gente sempre menciona é a Apple.

E o que você achou do modelo do festival em si?

Eu fiquei muito surpreso com a quantidade e qualidade de network e relacionamento que é possível fazer num festival como esse. Ele tem um tamanho ideal para isso. O Cristal parece viver um momento de virada para ser um grandíssimo festival, mas ele hoje está num tamanho muito bom para construir network todos os dias, com profissionais e países dos lugares mais interessantes possíveis. O que me surpreendeu também foi a quantidade de agências independentes. É claro que temos aqui as agências de rede, mas o mercado independente tem participado desses festivais um pouco menores, justamente para usar como network. E esse network faz o mercado crescer. É importante para os profissionais de agências independentes estarem nessa roda.

E a participação brasileira no Cristal tem potencial para crescer?

É um evento para vir e recomendar para os outros. Acho que o mercado brasileiro precisa participar mais, independente de termos muitas agências de rede ou não. Network nunca é demais e, além disso, é sempre possível aprender alguma coisa num festival desse. Você nunca sai perdendo. É bem provável que a participação do Brasil cresça daqui para frente, basta notar que tivemos muitos jurados do país neste ano. Podemos no ano que vem aumentar isso e principalmente ter mais peças inscritas. Estados Unidos, Inglaterra e também vários países latinos vieram com peças muito fortes e competitivas. Por que o Brasil não pode fazer isso também?

E como tendência? O que você observou no Cristal?

O fortalecimento continuo do digital, em qualquer categoria e qualquer discussão, por exemplo. Todas as categorias têm puxado o digital como um grande parceiro da criatividade. A minha própria palestra aqui fala sobre isso, o papel da tecnologia como parceira das pessoas e das marcas. O legal daqui é perceber que a propaganda é uma indústria muito grande, com várias diferenças técnicas ou estruturais, mas que no final das contas o que nos liga é a busca pela solução criativa e a melhor maneira de entregar isso para o cliente.

O que você vai levar daqui para o seu trabalho no Brasil?

Estamos na França e a tendência é termos um olhar um pouco francês para as coisas. Isso por um lado é muito bom por que a França tem um mercado de varejo muito forte. Então as soluções de varejo que eles apresentam, até mesmo nas campanhas, como no GP que nos demos de design para o supermercado Intermarché (veja aqui). É a prova que o espaço do varejo também é um espaço de criação, experimentação, estética, enfim, isso é muito bom. E o mercado francês, em alguns momentos, lembra bastante o mercado brasileiro. Então o que eu vi nesse festival sobre varejo, criatividade e a relação do cliente com o PDV foi muito relevante.

O modelo de trade marketing brasileiro ajuda ou atrapalha?

É curioso ver como o Brasil tem alguns extratos culturais relacionais à comunicação, ao mercado e o varejo que demoram para mudar. É mais curioso ainda ver como a cena digital brasileira é muito forte. Então talvez haja um descompasso aí com relação ao que temos de tecnologia viável para o varejo e efetivamente a cultura do trade, e de como ele trata essa relação com o departamento de marketing, de vendas ou as agências. O que vi aqui e tenho visto em outros lugares, é que é necessário entregar o espaço de compra e uma experiência agradável, que só é possível com muita base em pesquisa, em tradução de dados e em informação para o consumidor. No mercado americano e europeu, a estratégia caminha com a mesma coerência desde que sai da indústria, até chegar ao consumidor final.

O Adnews está no Cristal Festival. A cobertura é um oferecimento de Folha de S.Paulo, RedeTV!, Turner e Yacows.

Renato Rogenski, direto de Courchevel, na França

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