Cannes 2016

O valor da cultura na propaganda

cultura

Foi especialmente interessante a quantidade de seminários e palestras em que o tema cultura foi colocado para a plateia. Agências como Hakudoko, 72andSunny, Grey, Droga5, etc, todas estas colocaram em discussão a importância e o fator estratégico em se trabalhar com comunicação sob a ótica e o filtro da cultura.

As conversas foram pautadas em entender que a cultura é um valor líquido, diverso, complexo, capaz de engajar, e que faz toda a diferença no mundo contemporâneo. E que as marcas e causas que entendem isso estão fazendo o que de melhor se vê em comunicação hoje em dia. Neste sentido, tomar a cultura de forma abrangente requer expertise que deve ser criada nas agências.

A figura de um "Chief Culture Officer" ou especialistas em cultura deve estar presente de maneira integrada aos departamentos de planejamento e criação, a fim de entregar insights e ajustes que façam a diferença. Um dos "case studies" que me chamou a atenção foi o que mostrava dois exemplos antagônicos de como o uso errado e certo de aspectos culturais pode criar um grande problema para as marcas ou aproxima-las de mercado e nichos específicos: HTC, errando com seu rap feito por dois brancos; Samsung acertando ao mostrar o Kendric Lamar derrubando champagne no aparelho de celular a fim de mostrar que  o aparelho é à prova d'água.

Outros seminários abordaram cultura sob novas óticas, como a da diversidade,  da igualdade de gênero, e como abordar um Storytelling que seja adequado e oportuno para novos consumidores e consumidores em formação, como crianças, por exemplo. E, mais uma vez, o tema da diversidade cultural como impulsionadora de um trabalho criativa de excelência também voltou à tona, reverberante ao que venho discutindo desde 2013 no festival.

Por fim, num mundo complexo, ágil e diverso como o nosso, entender as nuances e peculiaridades culturais as mais variadas e utilizar este conhecimento para entregar comunicação de qualidade, com pertinência e que cria espelho no consumidor, nunca foi tão necessário.

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