13 highlights imperdíveis (em ordem de crush) sobre o SXSW

Um ponto importante a saber sobre o SXSW é que a programação é o que os americanos gostam de chamar de “orgânica”. Traduzindo: a não ser que estejamos falando de keynotes ou featured sessions, tudo pode mudar. Portanto, #ficadica de sempre conferir antes de ir para a sala em questão e olhar todos os dias para ver se não tem novidades interessantes.

Não, não é uma zona e a organização é muito séria. Conteúdo anunciado é conteúdo muito potencialmente desfrutável e o line-up para 2018, promete.

A título de já deixar todo mundo com água na boa, aqui estão os 13 highlights que já entraram para a nossa lista dos imperdíveis, em ordem de crush intelectual da editora. Nos próximos textos, mandaremos mais sugestões de palestras ou painéis que você tem que ir (na nossa opinião, claro).

1 - Ta-Nehisi Coates, Barry Jenkins, Esther Perel e Darren Aronofsky: Entre os keynotes, esses são os que vale almoçar amendoins ou barrinhas de cereal para garantir o assento e assistir sem falta. Coates é top-ten-people-I-wanted-to-meet, seu livro sobre a presidência de Barack Obama e seus artigos no The Atlantic são fantásticos e acho que ouvi-lo no atual contexto da situação socioeconômica americana vai ser muitíssimo interessante. Barry Jenkins é o cara que fez Moonlight, precisa explicar mais? Esther Perel é o follow up act para quem pirou na Brené Brown. Honestamente, acho ela tão bacana quanto, mas o assunto dela é outro: ela fala de amor. Não riam, essa psicoterapeuta belga que fala em inteligência erótica e infidelidade, tem cadeira cativa com a mídia e um de seus livros já foi traduzido para 24 idiomas. Because relationships, saca? Darren Aronofsky é o autor e diretor de Mother!, mas você provavelmente o conhece por causa de Black Swan. É queridinho do cinema americano por conta de Requiem for a Dream e Pi e eu coloquei ele nessa lista porque o que sai da cabeça dele ou é genial ou é muita loucura e eu queria tentar concluir isso ao vivo.

2 - Minha menção honrosa dos keynotes vai para whurley (ele tá assim no Schedule, mas o nome dele é William, tá, gente?). Os bem nerds dispensam a explicação, mas, como temos muggles entre nós, vou explicar quem é whurley. Ele fundou o, agora extinto, The Daily, primeiro “jornal” criado exclusivamente para o iPad, com a News Corp. (de quem a gente não gosta muito, because Murdochs, mas, tudo bem). Ele fez mais umas outras coisas bacanas, tem algumas patentes registradas e é daqueles nerds interessantes, mas a razão pela qual eu espero que o keynote dele valha a pena é que ele vai falar de quantum computing para as massas e esse assunto; quantum computing, quando não é para as massas, é mega complexo, portanto, essa que vos fala espera sair de lá com alguma explicação. Aliás, todos deveríamos entender um pouco como isso funciona já que é dessa computação que se espera os maiores avanços em AI daqui pra frente, tá?

Em tempo, eu assisto todos os keynotes todos os anos, tenho certeza que Melinda Gates, Sadiq Khan e Lyor Cohen (os outros keynotes anunciados até agora) também serão interessantes, mas, se eu não filtrar, pra que você vai ler meu texto, né?

3 - Christiane Amanpour – outra que dispensa apresentação, a não ser que você seja millenial e não se lembre da guerra do Golfo. Amanpour, que alçou fama internacional porque foi a principal âncora da cobertura dessa guerra na CNN, hoje é uma das principais vozes em assuntos internacionais e tenho certeza que 45 minutos de Amanpour valem tanto quanto um final de semana com Homo Deus. Aliás, se você ainda não leu, não me conte, compra logo e resolve o assunto.

4 - Audrey Gelman – porque ela fundou um WeWork só pra mulheres. A empresa chama The Wing e a sacada de criar um ambiente apenas para mulheres (sorry, boys) é absolutamente fantástica. Just fyi, se você estiver torcendo o nariz, saiba que o clube já tem mais de 1.500 sócias pagando 3 mil dólares por ano, já levantou 10 milhões de dólares e está ar-ra-san-do.

5 - Whitney Wolfe Herd – já já os meninos vão dizer que eu tô sendo feminista. Darlings, fazer o que se as ladies estão arrasando? Wolf Herd é a fundadora do Bumble, o aplicativo de matchmaking que você pode baixar mesmo se for casado. Não, não se trata de swing ou nada do tipo, fiquem calmos. Acontece que o Bumble tem, além da função de encontrar um date, a função de fazer amigos (yes, literalmente) e conexões de negócios (yes, LinkedIn-meets-Tinder-só-que-bem-mais-simples-de-usar). Acontece que nossa speaker foi fundadora do Tinder e entendeu que ficar só no swipe pra cá e swipe pra lá não ia necessariamente dar resultado e resolveu fazer um “app mais sério”. No Bumble, você entra com a sua conta de Facebook e as informações da sua conta são usadas para criar um perfil com fotos e informações básicas, incluindo faculdade e em que você trabalha. A primeira sacada? As mulheres devem iniciar a conversa depois do match. We have control, baby. Mas a segunda (e a terceira e a quarta) sacadas vieram com o lançamento do Bumble BFF (amigos) e do BumbleBizz (networking para trabalho), de um espaço para as pessoas se encontrarem e do serviço de assinatura. Tá, mas qual o punch line? O Badoo, que tem a maioria da empresa está tentando vendê-la e o valuation atual é 1.5 bilhão de dólares.


Tristan Harris (Reprodução/Youtube)

6 - Tristan Harris – o designer trabalhava no Google como Design Ethicist (juro que tentei, mas nem que eu quisesse eu conseguiria traduzir esse cargo) e fundou uma ONG chamada Time Well Spent que almeja transformar (para o melhor) a chamada “economia da atenção”. Harris acredita em um esforço coordenado para “realinhar a evolução tecnológica com as necessidades humanas”, já que tá todo mundo ficando maluco e deprimido por culpa das redes sociais e dos smartphones. Ele prega ativismo, desenvolvimento de standards de ética no design (de sistemas e devices) e acredita que podemos trabalhar com as empresas de tecnologia para provocar melhora no comportamento das mesmas. Pessoalmente, eu acho que eles são todos péssimos e irresponsáveis, mas acompanho Harris há anos e não vejo a hora de ouvi-lo.

7 - Hugh Herr, Aimee Mullins e Professor Hans Georg Näder – Hugh Herr foi keynote há uns dois ou três anos no SXSW e eu nunca vou me esquecer dele. Herr, que é engenheiro e tem um Phd pelo MIT em medical devices; perdeu as duas pernas do joelho pra baixo em um acidente de escalada e dá suas aulas e palestras de terno, mas usando bermuda, para todos podermos ver suas próteses biônicas. A atleta e modelo Aimee Mullins foi a primeira amputada da história a competir na NCAA e foi a primeira pessoa a ser equipada com próteses de fibra de carbono. Nerds: ela é a mãe da Eleven em Stranger Things! Hans Georg Näder dirige o maior fabricante de próteses do mundo. Tenho certeza que esse será um painel interessantíssimo para ter perspectiva sobre exemplos do que a medicina já conseguiu fazer para ampliar a capacidade do corpo humano.


Walter Isaacson (Reprodução: Wikipedia)

8 - Walter Isaacson – porque o próximo livro que você vai ler é a biografia de Leonardo da Vinci. Isaacson escreveu as biografias de Benjamin Franklin, Steve Jobs, Einstein e Kissinger. Ele é o cara que mais estudou grandes mentes criativas da história, se a gente não aprender nada com ele, não sei com quem vamos aprender.

9 - Bozoma Saint John – porque ela aceitou a roubada de virar Chief Brand Officer do Uber. Porque os “íntimos” chamam ela de Boz. Porque ela é uma mulher em posição de liderança em uma das empresas mais controversas do planeta. Porque ela é negra. Antes disso? Apple, honey.

10 - Ray Kurzweil – porque sempre que você puder escutar as previsões do oráculo, você deve tentar.

11 - Bruce Mau – porque eu ando obcecada com a disciplina do design e você também deveria andar. Mau é uma das vozes mais importantes do design no mundo e seu manifesto para o crescimento é parte da educação básica de qualquer pessoa que trabalhe com qualquer filosofia ou aplicação de design. Dos 43 pontos do manifesto, meu favorito é “faça perguntas idiotas”. Me diga se não é pra ter crush em alguém que recomenda isso?

12 - Steven Pinker – porque aquele cabelo dele vai ser uma das suas melhores fotos pro Insta. Ou não. Preste atenção ao que ele diz; Pinker, que é professor em Harvard e é autor de diversos livros, é uma autoridade mundial em ciência cognitiva e linguagem e discute uma série de premissas científicas sobre nossa capacidade de comunicação, inclusive a de que a linguagem é uma habilidade genética.  

13 - O cast de This is Us e featured session de Westworld – porque eu tenho crush no Milo Ventimiglia desde Heroes e porque Jonathan Nolan e Lisa Joy (criadores de Westworld) são absolutamente geniais.

Fernanda Romano é sócia-fundadora da Malagueta, e co-fundadora do Coletivo WeLove, plataforma de conteúdo original lançada na segunda metade de 2015. Foi selecionada pela AdAge em 2012 como uma das 100 mulheres mais influentes da comunicação mundial, ao lado de nomes como Arianna Huffington e Sheryl Sandberg. É também membro do Creative Social e tem passagens por Grupo Havas, DM9DDB, Lowe e Naked Communications.

O SXSW Insights tem o apoio do Malagueta Group e do Little Brasil – Brazilian Neighborhood, projeto que constrói experiências de conhecimento, educação e imersão sobre o mercado de comunicação, levando todo o potencial criativo, inovador e empreendedor do país ao redor do mundo.

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