“A nossa área de tecnologia não é possível se manter imóvel”

O Brasil é um país de tamanho continental. Abranger todas as suas regiões é uma tarefa hercúlea e se os processos não forem modernizados nunca haverá a possibilidade de falar com as diversas áreas do território nacional. Consciente desta necessidade, diversos agentes do mercado da propaganda investem em tecnologia nas suas operações para entregar cada vez mais um serviço alinhado com as necessidades atuais.

Se há alguns anos o transporte de materiais publicitários era feito por fitas e discos, hoje isso não mais condiz com a forma que a transmissão deve ser trabalhada. Consciente desta necessidade, a Adstream se firma como o primeiro Conjunto de Conectividade para a indústria de anúncios, combinando ferramentas de colaboração, gestão de campanhas publicitárias, rede de distribuição global e análises para fornecer fluxos de trabalho.

Criada na Austrália e com sede em Londres, a companhia está disponível em 141 países e é utilizada por mais de 100 mil empresas em todo o mundo. No Brasil há diversos anos, a empresa é responsável por reduzir custos, aumentar a agilidade de transmissão e garantir a segurança de todo esse processo.

Diante desta alteração mundial, a Magna Advertising Forecasts aponta que as vendas digitais devem aumentar 13% este ano, chegando a US $ 237 bilhões. Desse modo, elas quase alcançarão as vendas de anúncios offline (US $ 298 bilhões)

Para entender melhor esse cenário, conversamos com Celso Vergeiro, CEO da Adstream. No bate-papo, ele falou sobre o ganho de facilidade na distribuição, a maior capilaridade no conteúdo em streaming, a redução de custos, a garantia de qualidade e os passos para o futuro. Confira abaixo a entrevista completa:

Como a entrega digital altera o mercado?

Desde julho de 2016 fazemos a entrega digital de todas as afiliadas da TV Globo no Brasil inteiro. Como a TV analógica foi desligada no Brasil inteiro, nós acompanhamos a evolução tecnológica.

Quando entramos no Brasil, 75% dos materiais entregues nas emissoras eram definição comum e 25% HD. Hoje, 98% do que entregamos é HD e chegaremos a 100%. Com isso, temos melhor qualidade dos filmes entregues por que, por eles não perdem a qualidade e especificações.

Qual a vantagem para as emissoras?

Para as emissoras, isso é um super alívio, por que antes elas tinham que fazer uma grande triagem dos materiais recebidos. Com essa entrega digital, nós fazemos as correções, controle de qualidade e enviamos para cada emissora nas especificações que ela preferir.

O que acontecia antigamente com os canais abertos ou por assinatura é que eles recebiam o material e tinham que fazer um processo que tinha um prazo médio de doze horas, tempo necessário para as diversas áreas checarem o conteúdo. Isso hoje é questão de minutos, pois ela recebe o material que já vem na especificação requerida por cada emissora. Então, não existe mais uma necessidade de revalidação desse material.

Para você ter uma ideia, quando a Globo veicularia algum anúncio, ela pedia dois dias para o início da exibição, depois passou a ser um dia e hoje ela recebe material na mesma data. Considerando a Globo, que tem conteúdos entregues para 123 exibidoras, sendo matriz, 05 filiais e 119 afiliadas, o ganho é gigantesco. Pois, o anunciante local antes entregava na porta da emissora. Agora, com o digital, chega tudo no mesmo padrão sem disparidade de qualidade e formato.

Quanto essa mudança reduz custos?

Quando não existia essa entrega digitalizada, as emissoras recebiam o material e faziam o roteiro de destino do conteúdo que seria enviado às praças. Nas filiais, cada uma delas faziam por satélite a transmissão de todo o material de madrugada para ir ao ar nos próximos dias.

Com a nossa entrada, eles reduziram custos altíssimos de satélite, geração e roteiros. Existia toda uma equipe de ações que só fazia isso. Para cada afiliada exibidora, era cobrado R$ 900 para cada destino que seria enviado. Nessa lógica, você tinha que entregar o material hoje para gerar à noite e ser exibido após dois dias.

Atualmente, o material chega para mim às três da tarde e até às quatro está entregue em qualquer lugar do Brasil. Dessa forma, o custo que era de R$ 900,00 reduziu para R$ 375,00, promovendo um ganho imenso ao anunciante, já que esse custo era impactado diretamente na compra de mídia dele.

Vamos supor, um varejo de automóvel faz, em média, 40 praças. Assim, cada entrega de filme eram R$ 36 mil. Então, você calcula uma marca que toda semana tem comercial novo, o feirão, o institucional e o anúncio. Dessa maneira, por semana, ele poderia fazer facilmente R$ 100 mil só de geração. Multiplica isso por quatro vezes ao mês e dá quase R$ 500 mil.

O que fizemos? Pegamos boa parte de todo esse dinheiro e transformamos em mídia para as empresas exibirem mais.

As vendas de mídia cresceram 13% este ano, o que explica esse número?

Esse é um dado importante, pois os últimos anos foram de crise e enfrentamos adversidades. Hoje, saímos um pouco da parte mais acentuada desse cenário e agora todos os anunciantes buscam não perder seu marketing share. Por isso, com menos dinheiro eles têm que fazer mais com menos custos.

Então, procuramos otimizar funcionalidades e operações. No caso da comunicação em si, o custo realmente alto é o de mídia. E ela não é despesa, é investimento. Já que você destina uma verba x para buscar um resultado x. Você tem o retorno de investimento muito bem estipulado, até para você definir o seu investimento de mídia. Quando você tem uma oportunidade de diminuir custos operacionais, você aumenta a sua verba para mídia, rendendo um ganho geral.

Vemos isso refletido em diversos meios. Conforme você facilita o acesso do anunciante às mídias tradicionais ou novas mídias, ele aumenta o investimento. Essa mudança causa otimismo, pois se o anunciante aumenta o budget, ele aposta no crescimento do mercado e na retomada do país. Temos uma estimativa que até em 2022 a tendência é manter o crescimento.

Como é feita a segurança e monitoramento de todo esse material?

Por esse conteúdo ser super sigiloso, todos os materiais recebem um sistema de rastreamento. Quando é feito um pedido de entrega, automaticamente, o nosso sistema gera um código de identidade criptografado (clock-number) que acompanha todo o deslocamento e histórico do material.

Esse “CPF” digital registrado, passa por um controle de qualidade e, após tudo isso, é feito o processo de transdecodificação para enviar ao destino o filme e o código dele. Lá, eles se juntam novamente para não ter o risco desse vídeo ser hackeado, já que recebemos coisas extremante confidenciais, ainda mais em varejo.

Como somos internacionais, de origem australiana e com sede em Londres, nós já estamos de acordo com o recente código internacional da GDPR, que entrou em vigor na Europa no dia 25 de maio deste ano. Levou seis meses para implantar as mudanças, mas seguimos todos os critérios exigidos de modo antecipado e um mês antes já havíamos formalizado todas as exigências.

De maneira segura, todo material que é enviado por nós fica na nuvem e só o anunciante tem acesso.

O que você espera do futuro?

Na nossa área de tecnologia não é possível se manter imóvel. Por isso, na virada deste ano, a Adstream criou uma nova área de desenvolvimento das plataformas existentes. Nesse momento, acabamos de finalizar os testes que garantem que nossos serviços terão um processo ainda mais otimizado para ganho de escala. Com isso, reduzimos custos e aumentamos a produtividade. Todo esse sistema já estará no ar em setembro e transformará a ferramenta em um ecossistema mais objetivo, ágil e seguro.

Além disso, também testamos no mercado externo e por aqui a entrega em até 8k. Esse avanço tecnológico é um preparo para toda essa inovação que já acontece em alguns países. Todos esses avanços são possíveis, pois a nossa plataforma passa por um processo de evolução constante e alinhada com a realidade global de desenvolvimento das mídias automatizadas. 

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