Reality shows no Brasil: 17 anos de um formato que não será eliminado tão cedo

Na virada do século, Lady Gaga dominava as paradas, o filme “O Show de Truman” de Jim Carrey profetizava sobre os perigos da hiper exposição e um programa chamado No Limite ganhava o País. Inspirado no americano “Survivor”, o primeiro reality exibido na TV brasileira foi recorde de audiência e abriu caminho para outras produções do gênero.

Dois anos depois, estreia o Big Brother Brasil trazido pela Endemol. Case de sucesso, a “nave louca” comandada por Pedro Bial já teve 17 temporadas e está garantida para 2018. “Lançamos naquela época o Big Brother Brasil, um fenômeno de audiência que abriu uma grande porta para a empresa. O brasileiro aceita muito bem os programas de reality show desde lá. É um tipo de conteúdo que o público gosta e consome até hoje”, disse Juliana Algañaraz, diretora-geral da Endemol Shine.

“Com o mercado digital fortalecido, os anunciantes tentam cada vez mais encontrar novas formas de falar com o seu público, com seus clientes”, explicou a executiva. Dentre os programas do gênero, um dos principais utilizadores do ambiente virtual é o MasterChef. Para se ter uma ideia do sucesso do gastronômico, a final em 2015 atingiu 1,8 milhão de tweets e  81,7 milhões de impressões, tornando-se um dos programas de TV aberta mais comentado na história do Twitter. Além disso, as marcas expandiram os campos de inserções e viram que era possível investir em programas mais direcionados.

“Um formato tem um período útil de vida. BBB existe no Brasil há 16 anos, é um case! Não acho que perdeu espaço. Acho que ele continua vivo e bombando, é um produto super vitorioso, que atrai anunciantes e ainda mobiliza a audiência. Normalmente, com o passar do tempo, os formatos podem se desgastam e parte do público perde o interesse”, disse Daniela Busoli, executiva responsável pela vinda da Endemol ao Brasil, ex-CEO da Fremantle e sócia da Formata. 

Dessa maneira, com as marcas e o público se interessando por outros meios é natural que surjam diversos segmentos de realities: gastronômicos, musicais, de confinamento e os de histórias como o “Fábrica de Casamentos” do SBT em parceria com a Discovery H&H. “Este projeto é mais complexo do que se imagina. Temos vários plots: as historias de amor dos noivos, a dificuldade na organização de um casamento por semana, a rotina dos especialistas. Muita externa, muitos paralelos”, contou Daniela.

Com a ciclicidade das tendências, programas que não despertavam tanto interesse na grade como os de casais passam a serem valorizados. “A TV, como outras indústrias, é cíclica e aquilo que era forte tempos atrás fica desinteressante de repente e algo que estava fora de moda volta a ser tendência. Temos observado a volta de reality-shows de relacionamentos e muitos formatos que exploram as festas e cerimônias de casamento”, comentou a Paula Cavalcanti, CEO da Fremantle Brasil.

Além das tendências rotativas, o segmento do reality permite mudanças na regra do jogo que alteram completamente a execução do programa. É o caso do recente show de confinamento “A Casa” da Record. “Pela primeira vez, a proposta é o oposto: a porta está aberta o tempo todo! Só fica ali dentro, quem quiser. Isso, por si só, já inverte as regras do jogo e cria uma curiosidade natural do público. Além disso, há um elemento instigante que alimenta o público: ver os ‘moradores’ passando pelo perrengue de viver num espaço reduzido e com pouca comida é provocador”, disse Paula.

Em um movimento dinâmico e com um segmento de múltiplas possibilidades, “as marcas estão cada vez mais conscientes que produtos de conteúdo são mais efetivos para reforçar (ou mesmo criar) um conceito sobre elas para o público consumidor. Mas cada passo deve ser dado de uma vez. O anunciante precisa perceber seu DNA naquela ideia. Neste sentido, um formato que pode parecer tradicional para uma marca pode ser extremamente disruptivo para uma outra”, explicou a CEO da  Freemantle Brail. Por isso, atualmente, é essencial se adequar e estar atento a iminência do consumo por conteúdo multiplataformas.

Nesse sentido, tanto a Endemol Shine quanto a Fremantle concordam que o futuro é tão amplo quanto às possibilidades do formato que conquistou o mundo na virada do século e a cada lançamento reafirmam sua importância no entretenimento mundial.

“O futuro da TV é algo muito amplo para se responder, mas a Endemol Shine Brasil possui atualmente quatro projetos que são formatos 360° (TV, Digital e experiências para o consumidor). Nós apostamos nesse modelo. O futuro dos meios de comunicação no Brasil é se adaptar em pensar o multiplataforma, com negócios e conteúdos que atinjam o público da melhor e das mais variadas maneiras”, explicou Juliana. “Cada vez mais acreditamos em produtos que estejam em diferentes plataformas e que atraiam audiência não só em sua exibição na TV, mas ganhem vida própria nos ambientes digitais”, finaliza Paula.

Gabriel Grunewald

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