Os ventos da Africa

A compra da CDN pela Agência África, do Grupo ABC, é a principal notícia em toda a história da outrora comunicação empresarial e da atual comunicação corporativa brasileira. Parafraseando um famoso politico, “nunca antes neste país” se viu tanto interesse e destaque para uma área que até há pouco mais de 10 anos sequer era tida como importante no mix de marketing das grandes corporações nacionais. A antiga assessoria de imprensa, que no Brasil ainda resiste bravamente graças às constantes crises do mercado jornalístico e ao grande desconhecimento dos empresários brasileiros quanto às reais funções das relações públicas, passa a ter um final anunciado. Ou seja, ou se renova, aprimora e profissionaliza ou até logo.

Há tempos Nizan Guanaes dava mostras em seus artigos de que as Relaçôes Públicas são ferramenta importante para compor um programa de comunicação. A compra da CDN demonstra que o executivo deixou de lado a retórica e partiu para a prática. Com uma empresa do porte, expertise e reconhecimento da CDN fica claro que o jogo neste campo, para muitos ainda pouco profissional, ganha cores e contornos internacionais. Sem exagero, esta aquisição coloca as Relações Públicas brasileira no olho do furacão e a transforma na noiva cobiçada por outros grupos em curto e médio prazos.

Para aqueles que, como nós, atuam no setor, a entrada da CDN no Grupo ABC valoriza ainda mais nosso trabalho e enriquece nossos passes. A exemplo do que ocorre nos gramados, os profissionais ganham espaço e os amadores, apesar de talentosos, tendem a cair para a segunda ou terceira divisão do setor.  Vale o mesmo para os egressos de redações, que acreditam que redigir um texto e enviar para um sem número de jornalistas traduz o conceito de relações-públicas. Pior ainda para aqueles que acreditam que podem ligar para os ex-colegas de trabalho para pedir a publicação de matérias que não têm qualquer relação com a editoria ou o veículo. Constrange a todos: o amigo que passa a evitar seus contatos, o tido assessor que não percebe no que erra e o cliente que passa a desacreditar no serviço.

Os novos ventos que sopram da África farão bem a todos: a nós do setor, que teremos de ser cada dia mais antenados e especializados; ao mercado, que ganha nova marca ainda mais forte, e aos clientes que passam a ver que o negócio é sério e traz resultados.

Como no famoso slogan da bebida, o efeito África deve trazer o amanhã para uma área que ainda tem muito a crescer no Brasil.

Artigo encaminhado por Carlos Alberto Silva e Luiz Vita, da Blue Public Relations.

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