O erro de quem é social media e trabalha só com redes sociais

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A função social media começou a se popularizar nos últimos anos, com o avanço e o rápido crescimento das redes sociais. Lá em 2013, a revista Exame publicou este artigo, onde listou as “20 novas profissões que despontaram nos últimos cinco anos” e adivinha quem estava lá? Ela mesma, a função de gestor de mídias sociais (mais uma variação para social media). Como podemos perceber, a publicação da revista acertou e 2017 nos mostra a imensa gama de profissionais que trabalham com as redes sociais, inclusive eu.

Um dos fatores que contribui com a profissão foi o aumento da utilização de redes sociais no Brasil. Os brasileiros são extremamente ativos em diversas redes sociais (no Facebook principalmente). Isso trouxe uma cobrança para que as empresas se posicionassem e corressem atrás deste público. A comScore realizou uma pesquisa que trouxe diversos dados sobre os usuários brasileiros, confira alguns deles:

Com a velocidade com que as coisas se transformam na internet, os dados já podem estar um pouco diferentes atualmente. Outra pesquisa interessante foi realizada em 2016, pela eMarketer, e colocou os usuários brasileiros como os principais da América Latina. O Brasil é o país com mais usuários do continente, com um total de 93,2 milhões até o final do ano (que já passou!).

O que podemos perceber sobre estas duas pesquisas?

É simples. Elas falam sobre pessoas e a forma que estas pessoas se colocam nas redes sociais. Acontece que para muita gente a função de social media significa apenas gerenciar as redes sociais de uma empresa, fazer as suas publicações. E se você pensa isso, você não está errado, mas existe um porém. As mídias sociais são redes de relacionamento e foram criadas para que as pessoas conversem, façam amigos, encontrem pessoas distantes, famosas ou simplesmente “stalkeiem” a vida dos outros, enfim, que se relacionem. Se o objetivo de estar em uma rede social é se relacionar, qual é o objetivo de uma empresa? Depende. Pode ser vender, pode ser aumentar os seguidores, pode ser para “já que todo mundo está no Facebook, eu também preciso estar”, pode ser todos esses motivos juntos, mas os resultados só serão alcançados quando você começar a dar protagonismo para as pessoas.

Mas eu estou falando de redes sociais, não de pessoas!

Sim, exatamente, mas as redes sociais são sobre o que o seu público quer ver versus o que você proporciona para ele. Agora reflita: quantas vezes você entrou no seu Facebook e pensou “Hum, vou comprar um tênis!”? Pois é, ninguém faz isso. Por que cargas d’água você insiste em tentar vender um produto a qualquer custo na sua rede social?

Trabalhar como social media é ter o dever de se lembrar (e lembrar o cliente) a todo instante que atrás da tela existe uma pessoa e ela está ali, rolando a timeline, sem planos para o futuro. Mas de alguma forma você precisa prender a atenção dela, antes que o seu post vá parar no limbo do Facebook. Agora reflita mais uma vez: por que alguém deveria ler o seu conteúdo? Por que deveriam seguir você? A partir do momento em que você entende que a sua marca não importa, a sua marca não é protagonista, ninguém quer saber que você tem 100 tipos de produtos diferentes disponíveis para compra, porque ninguém entrou no Facebook para saber disso (a não ser que você faça uma promoção exclusiva para a sua página, mas isso é outra história).

Nós precisamos entender de uma vez por todas que colocar as pessoas em primeiro plano é o mínimo que podemos fazer para que o trabalho de mídias sociais traga algum resultado. Quando eu abro o meu Facebook, eu não quero ver anúncios, não quero ver produtos, eu quero ver pessoas, quero ver histórias que sejam bem contadas, quero me emocionar, quero dar risada do cachorro que corre atrás da galinha, não importa. O que eu quero dizer é que as redes sociais são para entretenimento, são para a sociedade se comunicar e se relacionar.

O Itaú possui uma grande assertividade neste sentido. A empresa possui diversas campanhas que foram ao ar e não foram para falar de depósito, condições especiais, empréstimos, nada disso. As campanhas deram o foco para as emoções de quem assiste. E adivinha quem eles colocaram em foco? As pessoas! Você até chega a esquecer de que se trata de um banco, não é? O Itaú tem se posicionado dessa maneira há alguns anos e em diversas redes sociais. Vale a pena dar uma olhada no trabalho produzido.

O canal do banco no Youtube é bem bacana, para quem busca inspirações:

Deu pra entender qual é o fio da meada? Se a sua empresa é presente nas redes sociais, aproveite a oportunidade que você tem e se relacione com seus clientes, porque é isso que nós (usuários) queremos. Você pode fazer milhões de anúncios, trabalhar com os pixels do seu site, mas nada disso irá funcionar se o seu social media parar de pensar 100% do tempo em métricas e começar a pensar também nas pessoas. As tecnologias mudam, as ferramentas se atualizam, mas no fim, tudo se trata de pessoas e suas relações.

Fahen Carvalho é jornalista, criadora de conteúdo digital e atua como community manager na Agência Global. Em seu perfil pessoal, no LinkedIn, produz artigos semanais sobre o universo do marketing digital e comunicação. 

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