“Fake”, fato e o futuro da comunicação

Artigos que o toninho passa

O 2º   Seminário Internacional de Jornalismo, promovido pela ESPM e a Columbia Journalism School realizado, no último dia 15 suscitou temas cada vez mais frequentes na tela da comunicação em nível global. A plateia teve a oportunidade de ouvir a exposição do jornalista Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais e do Fórum Mundial de Editores, que abordou a evolução tecnológica das mídias e ancorou boa parte de sua fala nas “fake news”, que campeiam nas mídias sociais. O modelo fartamente utilizado foram as notícias sobre as eleições brasileiras.  Em outro painel o tema foi Democracia e Desinformação, do qual participaram o norte americano e editor da Columbia Journalism Review, Kyle Pope e mais Mônica Waldvogel e Gilberto Dimenstein.  De fato, para quem milita na área não foi apresentado nada que pudesse assombrar uma vez que estamos vivendo um período severo de transformações. Portanto, ficar de olhos e mentes atentos é a única recomendação. O que se infere desse atual momento é a necessidade de se entender o mutante mundo moderno.

Num artigo assinado por mim recentemente na Revista da ESPM e que cabe perfeitamente aqui, argumentei que a humanidade já passou pelas eras agrícola e industrial. Essa transição se deu ao longo de um século. As gerações daquele período foram atingidas por sucessivas metamorfoses e ajustando-se às novas realidades. As acomodações econômicas e sociais foram se efetivando ao longo do tempo, que transcorria em slow motion. Mesmo assim, as novas conquistas foram se expandindo e dando novos contornos ao mapa geopolítico e social. Agora chegamos na era digital. Mas será que estamos nela ainda? A era digital também já era! Estamos na era pós-digital – algo em fase de sucessivas transformações, desafiador, multidisciplinar e conectado planetariamente. 

Essa passagem se deu em menos de duas dezenas de anos, uma velocidade incrível comparando-se às eras anteriores.  Nossos sonhos de consumo como internet, smartphones, tablets e mais todas as facilidades disponíveis em apps para solicitar taxi, realizar compras, alugar imóveis, assistir a filmes recém lançados no conforto do lar comendo pipoca também já estão ficando para traz. Os indicadores deixam claro que ainda há mais novidades tecnológicas chegando de forma exponencial. O congestionamento de informações está atingindo em cheio o ser humano. Afinal, para onde a humanidade está se encaminhando? Como será o amanhã?

Eis a verdade: ninguém, ninguém sabe!

Essa revolução rápida como um raio leva um bando de cabeças brilhantes buscar conhecimentos e o estabelecimento parâmetros para os novos tempos – já se vislumbra com insistência cada vez mais frequente um caminho sem volta da inteligência digital.  Os impactos dessas transformações estão sendo sentidos de forma global. Há os que assistem a tudo boquiabertos. Nada do que existe hoje sobreviverá o amanhã: meios de locomoção, empregos e tão pouco garantias secularmente ansiadas pelas pessoas. Até mesmo as amizades entram nesse balaio. Sim, porque estão surgindo novos comportamentos sociais e de relacionamento. Seria a entropia da raça e gêneros – homem com homem, mulher com mulher, etc e tal?

Definitivamente, a Arca de Noé dos novos tempos já está navegando pelo espaço sideral levando consigo todas as espécies animadas, inanimadas e seus modernos recursos rumo a desafios inimagináveis.  

Devaneios à parte, o fato é que precisamos fazer parte dessa comunidade global para não fenecer. Aliás, o respeitado escritor Alvin Tofler, leitura de cabeceira de muitos profissionais da comunicação publicitária e do marketing já dizia: “Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não souberem ler e escrever. Mas todos que não souberem aprender a desaprender para, então, reaprender”. O “reaprender” citado na frase de Tofler vai muito além porque envolve sentimento e emoção, elementos que também estão sendo afetados. Não é à atoa que estamos a todo tempo correndo; temos pressa de alcançar alguma coisa. Que coisa seria essa? Seria o “Mister Futuro”?

Na visão do francês Jean Jacques Séguéla, mestre da arte e técnica do marketing e da publicidade, o “futuro tem futuro”. Estamos no limiar de um período de melhorias em todos os sentidos, só não está sendo possível antever os encaixes adequados em relação às novas atividades originadas dessa realidade. De qualquer forma há um dado já comprovado. Os realizadores, os autodidatas, os perseguidores de sonhos e desejosos de conhecimentos formarão esse fugaz e majestoso mundo novo. Jacques Séguéla não está sozinho nesse seu pensamento. 

Outros antenados com o movimento tecnológico global pensam da mesma forma e dois deles são brasileiros. O gaúcho Tiago Mattos estuda futurismo, além de ser empresário e autor de livros a respeito do porvir. No seu curso “Tomorrow” expõe o assunto com tétrica clareza. O outro é Murilo Gun, que descreve o cenário do amanhã no curso “Reaprendizagem Criativa” Os nossos pensadores tupiniquins são figuras que tiveram acesso a estudos e pesquisas da NASA, nos Estados Unidos, durante meses. Mas atenção: a NASA continua sendo referência na pesquisa e na tecnologia, mas não a única, basta observar-se a barafunda motivacional de Elon Musk, ainda não bem definido – se marqueteiro, playboy ou perseguidor de sonhos -, dono de empresas como SpaceX, Tesla Motors e SolarCity, que promete energia sustentável para locomoção a qualquer distância e moradias a terráqueos em Marte, a preços módicos dentro em breve. Uma pessoa determinada e “explosiva”, Musk, revela, no entanto, muito respeito pelos meios de comunicação, tanto é que na sua equipe há profissionais de marketing e de mídia: não enxerga outro recurso que não seja a tecnologia acoplada (em seus veículos e nem nos seus foguetes espaciais ou energia renováveis) à competentes estratégias de comunicação. 

Como se há de perceber, os dois brasileiros Mattos e Gun, que já iniciaram a evangelização tecnológica no Brasil não são os únicos nessa faina futurista. Pensadores em todo o mundo rezam o mantra segundo o qual não se deve temer a tecnologia, mesmo porque em todos os tempos ela, a tecnologia, guardadas as proporções, impulsiona a humanidade a novas descobertas. A diferença com o que ocorre nos nossos dias é a rapidez e sobretudo, como devemos interagir com ela. Os primeiros sinais espontâneos de convívio com o momento presente são observados entre as crianças de hoje, que já nascem com chip à mais: o digital.

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